Marcel Dettmann

  • Já passou quase um ano desde a última visita de Marcel Dettmann ao Lux. Para nós o tempo voou quase tão rápido como Dettmann voa de continente em continente espalhando a sua visão destilada, não-adulterada, pura, do que é o techno. Entre os múltiplos gigs, tempo para mais alguns EPs, várias remixes e um viciante e enleante mix-CD, o nº 77 da prestigiada série Fabric. E a juntar ao tempo e skills necessárias para ser um dos maiores nomes do techno mundial, Marcel junta agora uma skill desempenhada no tempo que sobra: criar um família, com mulher e filha. Mencionamos um facto extra-música aparentemente fútil porque nos atrevemos a corrigir Dettmann : além da sua família em casa, ele tornou-se elemento fulcral de uma série de outras “famílias”. As famílias Berghain e Ostgut Ton claro, mas também as que se reúnem na pista para presenciar mais uma demonstração inequívoca do poder e alcance do seu estilo de DJing que o colocaram na elite do techno, num percurso que, se para muitos parece ser recente, na verdade já leva 20 anos. Um longo caminho a tocar apenas o que ama, com uma coerência e fé em si mesmo inabalável. E ao mesmo tempo, com tanta simplicidade e modéstia, que Marcel nem sequer está a fazer grande alarido da data : limita-se a chegar às cabines e fazer pistas de dança abanar até às suas fundações. Falamos por isso de alguem que justifica plenamente todos os elogios que lhe são atribuidos e não apenas de um “hype” passageiro. De alguém que desfaz as dúvidas de que o DJing não possa ser elevado a uma forma de arte. E que o faz baseado num principio básico : “amem a música, sejam vocês mesmos e toquem com paixão. Dessa forma, nunca se sentirão desapontados”. Ele sabe do que fala. É que não há relatos de caras de desapontamento, quando de manhã se abrem as portas do Lux sobre o rio Tejo, após mais uma das liçoes de amor pela música dadas por Marcel Dettmann à sua família do dancefloor. - Nuno Mendonça
  • Marcel Dettmann - Flyer front